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domingo, 3 de abril de 2016

Batman vs. Superman: Dawn of Justice



Para entender a crítica, sempre é bom saber um pouco da bagagem de quem a escreve. Pois então, voltemos a década de 80, quando li meu primeiro gibi de super-heróis, uma história do Spectreman onde ele enfrentava dinossauros (se bem me lembro, era um triceratope) em um dos gibis lançados pela Editora Bloch na época. Isso era 85 ou 86, não lembro bem o não, mas lembro que foi comprado numa ida para fazer o rancho do mês (era época de inflação, e se você bobeasse, no outro dia seu salário não valia mais nada) num supermercado da rede Zaffari.

Daí pra diante, abri minha mente para essa nova arte. Comecei a comprar mais quadrinhos, só que agora, o que eu comprei foi um gibi onde uma cara com uma capa vermelha segura uma moça loira, em seus braços, também com uma capa vermelha. Essa era a capa de uma das histórias de “Guerra nas Infinitas Terras” (uma das melhores sagas da DC que já li) onde Superman segurava uma Supergirl totalmente machucada, depois de uma batalha contra o “Monitor”, o vilão da saga. A partir daí (em parte pela fantástica arte de George Perez) comecei a consumir quadrinhos da DC e, conforme a editora Abril publicava as novas sagas da DC no Brasil, ia adentrando um mundo fantástico dos quadrinhos de super-heróis, lendo o reboot fantástico que John Byrne deu ao Superman entre outras sagas. Ainda não lia muito Batman nessa época, mas depois que li “The Dark Knight” de Frank Miller, virei fã.

Infelizmente, a vida continua e os bons tempos de infância se vão. Felizmente pra mim, nunca deixei de ler quadrinhos, porém, mudei um pouco os rumos de minha leitura da DC para a Marvel. Explicando, ainda acompanho, porém estou mais “por dentro” do que acontece na Marvel do que na DC. Meu conhecimento nos quadrinhos da DC parou no meio da década de 90, portanto, pode ser que fale algumas besteiras sobre o filme que podem ter sido baseadas nessa época, porém acredito eu que serão mínimas.

Vamos ao que interessa, o que achei sobre o tão aguardado “Batman vs. Superman”? Pra mim, uma grande DECEPÇÃO. E explico: nunca vi o Batman ter sua essência tão desfigurada quanto ao que foi feito nesse filme. Mas vamos por partes... Se ainda não viu o filme, não leia pois terão diversos SPOILERS.

Vi em alguns sites onde um dos grandes problemas do primeiro filme do Superman (esse é a continuação), foi a forma brutal como Superman matou Zord. Nos quadrinhos, em uma magnífica saga escrita e desenhada por John Byrne, também vemos essa disputa. E também como no filme, Superman precisa abdicar de todas suas convicções em não tirar nenhuma vida e acabar com os kryptonianos que vieram a terra e queriam dominar o planeta e a raça humana. Superman não tendo outra alternativa, abre uma caixa contendo kryptonita e expõem os 3 bandidos kryptonianos a radiação da pedra, matando-os. No filme, o herói quebra o pescoço do vilão. Em suma, pra mim, um dos personagens mais bem caracterizados no filme é o Superman. Vemos no filme toda a aflição dele em tentar ajudar a humanidade de todas as formas e ser interpretado mal pela imprensa oportunista, que tenta difamá-lo. Todas as características que fizeram com que eu gostasse do personagem nos quadrinhos estão expostas no filme.

Porém, o que dizer do Batman... Ah, o Batman de Bem Affleck. No meu entendimento, o problema não é o ator (que até interpretou bem e tem o biótipo para o personagem) mas sim o que fizeram com o caráter do Homem Morcego. Batman se tornou um “ditador”, onde apenas o que ele faz é o correto e não precisa ser julgado, porém quando outro faz a mesma coisa, é o fim do mundo, e deve ser exterminado pois é uma ameaça. Estou me referindo no parágrafo acima a ele julgar aos danos colaterais causados pela batalha de Superman contra Zord em Metrópolis que acabou dizimando algumas pessoas e um dos prédios das empresas Wayne na cidade. Ou seja, o Batman matando pessoas (quando ele fez isso nos quadrinhos, tirando “Dark Night” que não é da cronologia??) pode, o Superman não?

Batman bebendo? Na cena onde ele está na cama com uma de suas conquistas, vemos Bruce Wayne bebendo um resto de champagne ou vinho que sobrou da noitada. Porém todos sabemos (pelo menos quem lê quadrinhos) da convicção e preparo que o “Cavaleiro das Trevas” tem. Abdicando de toda e qualquer substância para manter o corpo são. E além disso, desde quando Alfred, o mordomo, é um expert em tecnologia? Aliás, Alfred está sempre desencorajando seu patrão a seguir a vida de vigilante... E os pesadelos com os morcegos?!?! Achei que o Batman tivesse pesadelos com a morte dos pais, e não com morcegos gigantes. Bem, são tantas as divergências que ficaria horas e horas escrevendo. Mas, adiante...

Outro grande problema do filme é pegar duas das maiores sagas dos heróis e tentar resumir em um filme de 2h e 30min. Além disso, são duas sagas de universos totalmente distintos.

“Dark Knight”, de onde surge o confronto entre Batman e Superman, é uma saga, como já falei antes, de um futuro alternativo do Batman onde ele se torna hiper violento em razão do que está acontecendo com os EUA na época e faz de tudo para acabar com a criminalidade que chegou a pontos absurdos. Nessa saga, Superman é a representação do governo e Batman, é a representação do povo. A batalha entre os dois é uma batalha de ideais, não uma simples luta irracional, por motivos esdrúxulos e com um final mais ridículo ainda como no filme. Aliás, se perceberem bem, o final do filme é exatamente o oposto do final da minissérie, onde quem supostamente “ressuscita” é o Batman.

“A Morte do Superman” é outra saga, que se passa na cronologia real do Superman, cheia de pormenores e que se estendeu por mais de ano, explicando quem era Doomsday, como o Superman ressuscita, os clones e tudo relacionado.

O filme beira ao ridículo tentando resumir tudo o que foi escrito em pouco tempo. Não dá para colocar “Porto Alegre dentro de Viamão”.

Lex Luthor, o que dizer do ridículo e insuportável Lex Luthor do filme. O vilão beiro o estúpido. Jerry Siegel e Joe Shuster, desculpem o termo, devem estar se revirando no caixão com o que fizeram com sua criação. Lex Luthor é um homem de negócios, que tem uma rixa agravada com o Superman por causa de Lois Lane. Ele nunca foi um pirralho metido a cientista nazista, mimado e irritante como o protagonizado no filme. Que essa seja a única experiência que teremos com esse ator. Nunca mais escalem ele para o papel de Luthor. Simplesmente horrível.

Vamos falar da Kryptonita, o calcanhar de Aquiles de todo kryptoniano. Pois bem, a kryptonita é uma pedra radioativa com origem do núcleo de Krypton. Nos quadrinhos, lembro que Luthor descobriu uma delas e mandou fazer um anel, para que o Superman não pudesse se aproximar dele. Porém, a radiação da pedra fez com que Luthor tivesse que amputar sua mão. Aquele pó de kryptonita não me desce pela goela até agora. Primeiro, se o Superman respirasse aquilo, a radiação penetraria em seus pulmões e ele morreria assim como aconteceu com seus conterrâneos quando ele os matou. Bom, nem é bom me aprofundar nessa besteira que fizeram.

Mas nem só de coisas ruins o filme foi feito. A luta do Batman no cais, para salvar a mãe do Superman contra os capangas de Luthor é muito bem feita e coreografada. Pela primeira e única vez no filme me senti como se o Homem Morcego que conhece estivesse aparecendo. Outra coisa, o filme é visualmente deslumbrante, com todas as suas lutas e efeitos especiais, mas é tudo que achei de bom. Ah, a Mulher Maravilha... Nem deu tempo dela aparecer... Espero que usem mais ela no próximo longa, certamente foi uma das coisas que se salvaram nesse filme.

Enfim, o filme tem algumas cenas boas mas, em termos da essência dos personagens, principalmente do Batman, peca demais. Não é ruim nem bom, fica no meio. Poderia ter sido muito, mas muito melhor. Porém o diretor ficou tentando entreter crianças de 10, 12 anos com uma luta ridícula entre super-heróis quando podia muito mais se aprofundar nos personagens e criar um ambiente melhor para o próximo longa da série.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Scott Pilgrim vs. The World


O filme nos conta a trajetória de Scott Pilgrim, baixista de uma banda de garagem intitulada "Sex Bob-Omb" que, deixado pela namorada, líder de uma outra banda, está em fase de superar este trauma. Para isso arruma uma outra namorada, uma colegial mais nova que ele. Porém durante um sonho, ele vê a garota com quem quer passar o resto de sua vida, Ramona. O problema de Ramona é que, para poder ficar com ela, Scott deve primeiro acabar com os 7 Ex-Namoradas do Mal dela, que um a um procuram por Scott para uma luta até a morte.

Baseado na série de Graphic Novels de Bryan Lee O'Malley "Scott Pilgrim". Imaginem um filme que misture games, quadrinhos, rock n' roll e lutas bem coreografadas. Pois Scott Pilgrim tem tudo para ser um cult nerd de primeira. E quando digo nerd, não no sentido pejorativo da palavra, mas sim no que define aqueles aficcionados por quadrinhos e vídeo games. A nota no IMDB, a última vez que vi, estava 8.1. E o filme realmente merece pelo que apresenta: é uma viagem do começo ao fim. As lutas são todas baseadas em algum jogo de vídeo game: temos duelo de baixos, um duelo de bandas que culmina em uma luta entre dois monstros criados pelo som das bandas, e uma luta final, com direito a "vida extra", espada laser, aumento de level do personagem entre outras coisas.
Falando especificamente da história, ela é bem simples. Já foi filmada diversas vezes. Porém a forma como o filme se desenrola é única. Scott é um vadio, sem emprego (pelo menos o filme não mostra ele trabalhando), que mora e dorme junto com um amigo gay, de favor, na mesma cama que ele. Ele tem um sério problema em tentar romper com suas ex-namoradas, nunca conseguindo fazer isso direito e deixando sérios problemas com seus relacionamentos anteriores. A banda de Scott participa de um concurso para tentar um contrato com uma gravadora, cujo dono é um dos ex-namorados de Ramona. E dentro deste concurso, acontecem três das lutas de Scott Pilgrim. Os duelos entre as bandas são totalmente baseados nos jogos da série "Guitar Hero"'.

Enfim, para quem gosta de quadrinhos, games e rock n' roll, além de filmes de luta, este é o filme de 2010. Assistam e divirtam-se.


domingo, 24 de outubro de 2010

The Walking Dead – A Série

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Quem gosta de zumbis certamente já ouviu falar ou leu esta fantástica série criada por Robert Kirkman. E como todos já devem saber foi aprovado uma série para a TV baseada na série de quadrinhos. A que alguns ainda podem não saber é que a segunda temporada já está garantida antes mesmo da estréia da série na TV, que será em 31 de Outubro. Porém, como “Tropa de Elite”, o primeiro episódio já vazou para a internet.
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A série conta a história de Rick Grimes, delegado que em uma perseguição leva um tiro e fica em coma no hospital. Quando se acorda, o mundo a sua volta está mudado. Os mortos estão caminhando. Ele vai até sua casa para encontrar sua mulher e filho, mas só encontra a casa vazia. Ele é encontrado por um pai e seu filho que estão se refugiando dos mortos em uma casa perto da casa de Rick. Eles falam que provavelmente, se estiverem vivos, seu filho e esposa estão em Atlanta, último local de refúgio transmitido pela TV antes que o sinal caísse. Rick, então se dirige a Atlanta em busca de sua família, mas o que encontra no centro da cidade é uma horda de zumbis famintos.
O primeiro episódio é o primeiro comic de “The Walking Dead”. Com toda a certeza, é uma das melhores coisas já feitas para a televisão ou cinema no gênero. A história é ótima, a maquiagem e efeitos dos zumbis são deslumbrantes, não se poupa sangue, cabeças estourando e detalhes nojentos dos “walkers”, que é como são chamados os zumbis nos comics. Enfim, é tudo que um fã de filmes de zumbis sonha em assistir numa película. Na primeira cena, vemos Rick tentando encontrar gasolina num posto de abastecimento. Lá ele encontra uma garotinha que é um zumbi. Sem frescura nenhuma, dá um tiro na cabeça da garota. Se isso já é raro em filmes, imagine num seriado de televisão. Outra cena que vale a pena comentar é a cena do cerco no centro da cidade de Atlanta. É simplesmente angustiante. Rick é cercado por centenas de zumbis, que matam seu cavalo, e ele tenta fugir de qualquer jeito. é, com certeza, a melhor cena do primeiro episódio.
Então, se preparem para dia 31 de Outubro para o lançamento e para os próximos 5 episódios, que acredito eu, devam condensar o primeiro arco das comics. Que sejam sempre na mesma qualidade, pois esta série promete ser muito boa.
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Trailer “The Walking Dead”